“Doutor (a), a cirurgia de hérnia abdominal é simples, não é?” Essa é uma frase que ouvimos com frequência no consultório. Mas existe uma diferença importante entre uma cirurgia ser habitual, de baixo risco, e ser simples.
A cirurgia de hérnia é realizada com muita frequência e, para equipes dedicadas ao tratamento das hérnias da parede abdominal, faz parte da rotina. Muitas correções, especialmente de hérnias menores e em pacientes bem preparados, apresentam baixo risco, recuperação previsível e excelentes resultados.
Mas isso não significa que sejam cirurgias simples.
Toda cirurgia exige avaliação, planejamento e execução técnica cuidadosa. Quando falamos de hérnias, existe ainda uma particularidade: há uma enorme diferença entre corrigir uma pequena hérnia e reconstruir uma parede abdominal com uma hérnia grande, recidivada ou complexa.
Cirurgia de hérnia é segura?
De maneira geral, a cirurgia eletiva de hérnia pode ser realizada com segurança e baixos índices de complicações, principalmente quando o paciente é adequadamente avaliado e o procedimento é planejado.
Mas nenhuma cirurgia é isenta de riscos. Infecção, seroma, hematoma, dor persistente e recidiva da hérnia estão entre as complicações possíveis. A probabilidade de cada uma delas varia conforme o tipo e o tamanho da hérnia, a técnica utilizada, as condições clínicas do paciente e a complexidade da operação.
É por isso que segurança não significa ausência de riscos, mas sim conhecer esses riscos, identificar aquilo que pode ser modificado antes da operação e planejar a cirurgia para reduzi-los sempre que possível.
→ Leia também: Hérnia pode voltar depois da cirurgia? Entenda por que a recidiva acontece e como reduzir o risco.
Por que algumas cirurgias de hérnia são menores e outras muito mais complexas?
Porque não existe uma única “cirurgia de hérnia”. Uma pequena hérnia umbilical, uma hérnia inguinal, uma hérnia incisional após uma cirurgia abdominal e uma hérnia que já foi operada e voltou são situações completamente diferentes.
O planejamento pode mudar de acordo com o tamanho e a localização do defeito, cirurgias anteriores, presença de telas, recidivas, qualidade dos tecidos e condições clínicas do paciente.
A própria literatura científica reconhece que a complexidade depende tanto das características da hérnia quanto de fatores relacionados ao paciente.
E existe um ponto importante: o tamanho da “bolinha” que o paciente vê por fora nem sempre revela a complexidade da parede abdominal interna. Principalmente nas hérnias maiores ou recidivadas, a tomografia e uma avaliação detalhada da parede abdominal são importantes para o planejamento.
→ Leia também: Qual o melhor exame para detectar uma hérnia: ultrassom, tomografia ou ressonância?
Quando uma cirurgia de hérnia se torna uma reconstrução da parede abdominal?
Nas hérnias mais complexas, não estamos simplesmente fechando um “buraco”.
Cirurgias anteriores podem modificar a anatomia abdominal: pode haver cicatrizes, aderências, telas previamente implantadas, afastamento importante da musculatura ou grandes defeitos na parede abdominal.
Nesses casos, pode ser necessária uma verdadeira reconstrução da parede abdominal, com técnicas específicas para recuperar sua anatomia e função. É justamente nessas situações que planejamento e conhecimento técnico se tornam ainda mais importantes.
A cirurgia começa muito antes do centro cirúrgico. É preciso estudar as imagens, compreender o que aconteceu com aquela parede abdominal, avaliar as condições clínicas do paciente e definir previamente qual estratégia oferece as melhores condições para uma reconstrução segura e duradoura.

Cirurgia aberta, laparoscópica ou robótica: qual é mais segura?
Não existe uma técnica que seja a melhor para todas as hérnias. Cirurgia aberta, laparoscópica e robótica são formas diferentes. A escolha depende das características da hérnia, das cirurgias anteriores, da anatomia do paciente e do tipo de reconstrução necessária.
Por isso, a tecnologia mais moderna não é automaticamente a melhor cirurgia. O que faz diferença é escolher corretamente a técnica para cada situação e executá-la de maneira adequada.
Esse é um dos motivos pelos quais a experiência específica em cirurgia da parede abdominal é importante. O desenvolvimento de novas técnicas abertas e minimamente invasivas ampliou muito as possibilidades de tratamento, mas também aumentou o nível de qualificação necessária para esta área da cirurgia.
→ Leia também: Cirurgia robótica ou laparoscópica para hérnia abdominal: qual é melhor?
Por que um cirurgião dedicado ao tratamento das hérnias faz diferença?
A cirurgia de hérnia é realizada por cirurgiões gerais, mas existem profissionais que direcionam grande parte de sua prática para o estudo e o tratamento das hérnias da parede abdominal.
Essa dedicação significa estar familiarizado com diferentes tipos de hérnias, técnicas cirúrgicas e graus de complexidade, além de acompanhar continuamente as evidências e a evolução das formas de reconstrução da parede abdominal.
Isso permite avaliar cada caso de maneira individualizada e ter repertório para decidir não apenas como operar, mas também quando operar, qual técnica utilizar e como preparar aquele paciente.
A literatura mostra que experiência e volume cirúrgico podem se refletir nos resultados. Um grande estudo com cirurgias de hérnia ventral encontrou associação entre maior volume anual do cirurgião e menor ocorrência de complicações pós-operatórias.
Estudos internacionais que avaliaram serviços dedicados ao tratamento de hérnias também encontraram menores taxas de recorrência e algumas complicações quando o cuidado reunia experiência específica, padronização, atualização científica, planejamento e acompanhamento dos resultados.
Mais importante do que o nome dado ao serviço é o princípio por trás desses resultados: dedicação, experiência, planejamento e individualização fazem diferença.
→ Leia também: Hérnia inguinal: ser operado por um cirurgião dedicado às hérnias faz diferença nos resultados.
O paciente também pode ser preparado para tornar a cirurgia mais segura?
Sim. O planejamento não envolve apenas a hérnia. Envolve também a pessoa que será operada.
Controle adequado de doenças como diabetes, interrupção do tabagismo, ajuste de medicamentos, perda de peso quando indicada e melhora das condições gerais de saúde podem fazer parte da preparação.
Nem todo paciente precisa fazer tudo isso. O objetivo é identificar quais fatores realmente precisam ser modificados naquele caso.
Em uma cirurgia eletiva, temos justamente a oportunidade de avaliar essas condições antes e preparar o paciente para chegar ao procedimento nas melhores condições possíveis.
→ Leia também: Preciso emagrecer antes da cirurgia de hérnia?
Então cirurgia de hérnia é simples?
Não gostamos de definir nenhuma cirurgia como simples. Algumas correções de hérnia são menores, apresentam riscos baixos e têm uma recuperação habitualmente tranquila. Outras exigem operações maiores e verdadeiras reconstruções da parede abdominal.
O fato de uma cirurgia ser realizada com frequência não diminui a atenção que ela exige.
Na verdade, é justamente o contrário. Quanto mais conhecemos as diferentes formas de uma doença, melhor conseguimos reconhecer quando estamos diante de uma situação habitual e quando aquele caso exige algo diferente.
No Hernia Brasil, somos dedicados ao tratamento das hérnias da parede abdominal. Isso significa avaliar cada paciente individualmente, estudar sua hérnia, preparar aquilo que pode ser melhorado antes da operação e escolher a técnica mais adequada para cada situação.
Para nós, uma cirurgia de hérnia não precisa ser chamada de simples para ser segura.
Ela precisa ser bem indicada, planejada e executada, com conhecimento da anatomia, domínio das diferentes técnicas e acompanhamento adequado antes e depois da operação.
É assim que buscamos transformar uma cirurgia que faz parte da nossa rotina em um tratamento seguro, individualizado e com resultados duradouros.
Precisa de tratamento para hérnias abdominais? Agende o seu horário com nossos especialistas!
Dra. Natália Pascotini
Médica: CRM 229545/SP
Cirurgia Geral – RQE Nº: 29210
Cirurgia do Aparelho Digestivo – RQE Nº: 121318
Dr. Paulo Henrique Fogaça Barros
Médico CRM: 141104/SP
Cirurgia do Aparelho Digestivo – RQE Nº: 60770
Cirurgia Geral – RQE Nº: 60769
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Este texto tem finalidade exclusivamente educacional e não substitui a avaliação individualizada por um profissional de saúde.



