Uma das dúvidas mais comuns de quem já operou ou está se preparando para uma cirurgia de hérnia abdominal é: a doença pode voltar depois da cirurgia?
Sim, pode. Quando uma hérnia reaparece depois de ter sido corrigida, chamamos isso de recidiva. É importante entender que não é esperado que toda hérnia volte. O objetivo da cirurgia é justamente realizar uma correção duradoura, e hoje existem técnicas e estratégias capazes de reduzir bastante esse risco.
A chance de recidiva não é igual para todos. Ela depende do tipo e tamanho da hérnia, das condições do paciente, da qualidade dos tecidos, da técnica utilizada e também da experiência da equipe que realiza o procedimento.
Por que uma hérnia pode voltar?
Não existe uma única causa. Alguns fatores relacionados ao paciente podem prejudicar a cicatrização ou aumentar o risco de complicações, como:
• obesidade;
• tabagismo;
• diabetes mal controlado;
• alterações na qualidade dos tecidos;
• algumas doenças que comprometem a cicatrização.
Complicações após a cirurgia também podem interferir no resultado. A infecção da ferida operatória, por exemplo, é um fator importante porque compromete a cicatrização dos tecidos e pode prejudicar a reconstrução realizada.
Além disso, existem fatores relacionados à própria hérnia. Uma hérnia pequena e primária é diferente de uma hérnia incisional grande, uma hérnia associada à diástase ou uma hérnia que já voltou depois de outra cirurgia.
É por isso que não existe um percentual único de recidiva que possa ser aplicado a todos os pacientes.
A técnica da cirurgia influencia no risco da hérnia voltar?
Sim. A cirurgia de hérnia não consiste apenas em fechar uma abertura na musculatura. É preciso entender o defeito e reconstruir aquela região da parede abdominal de maneira adequada.
Quando existe indicação de tela, por exemplo, importa o tipo de material, o tamanho, o posicionamento e a cobertura adequada da região que está sendo reparada. Falhas nesses aspectos podem aumentar o risco de recidiva.
A escolha da técnica também precisa considerar o tipo de hérnia e as características daquele paciente. Não existe uma única cirurgia que seja a melhor para todas as hérnias.
A experiência do cirurgião com a técnica escolhida também faz diferença nos resultados.
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Usar tela diminui a chance de a hérnia voltar?
Em muitas situações, sim.
A tela funciona como um reforço da parede abdominal e seu uso reduziu significativamente a recidiva de diversos tipos de hérnia. Nas hérnias inguinais, por exemplo, o uso de tela é recomendado justamente por apresentar menores taxas de recidiva do que técnicas convencionais de sutura.
Nas hérnias umbilicais e epigástricas, o tamanho do defeito também influencia essa decisão. Em determinadas situações, corrigir a hérnia apenas com pontos apresenta maior chance dela voltar do que realizar a correção com tela.
Isso não significa, porém, que toda hérnia obrigatoriamente precise de tela. A estratégia deve ser individualizada para o tipo de hérnia e para cada paciente.

Diástase pode fazer a hérnia voltar?
A presença de diástase pode ser especialmente importante nas hérnias da linha média, como as umbilicais e epigástricas.
Quando existe uma hérnia associada à diástase dos músculos retos abdominais, não estamos diante apenas de um pequeno defeito isolado. Existe uma alteração mais ampla da linha média abdominal.
Por isso, identificar a diástase antes da cirurgia é importante, já que sua presença pode modificar a estratégia utilizada para reconstruir a parede abdominal.
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O que posso fazer para diminuir o risco da hérnia voltar?
Parte da prevenção começa antes da cirurgia: parar de fumar, controlar adequadamente o diabetes, melhorar as condições nutricionais e reduzir o peso quando isso for indicado são medidas que favorecem a cicatrização e podem diminuir complicações relacionadas ao procedimento.
Isso não significa que todos os pacientes precisem emagrecer ou atingir determinado peso antes de operar. A preparação deve ser individualizada e considerar os riscos e benefícios de adiar ou realizar a cirurgia.
Em hérnias maiores ou mais complexas, essa preparação pré-operatória pode fazer parte importante do tratamento.
Preciso ficar em repouso para evitar que a hérnia volte?
Não. Repouso absoluto não é necessário e ficar imóvel não protege a cirurgia. A recuperação atual estimula o paciente a levantar, caminhar e retomar progressivamente suas atividades.
Nas cirurgias de hérnia inguinal sem complicações, as diretrizes atuais não recomendam longos períodos de restrição física por medo de recidiva. O retorno às atividades deve acontecer conforme o paciente se sente confortável.
Cirurgias maiores e reconstruções mais complexas podem exigir orientações diferentes. Por isso, o tempo para voltar à academia, carregar peso ou realizar esforços deve seguir a orientação da equipe responsável pela cirurgia.
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Usar cinta depois da cirurgia evita que a hérnia volte?
Não há evidências de que usar cinta abdominal possa prevenir a recidiva da hérnia.
Em algumas cirurgias, ela pode ser utilizada para proporcionar conforto, sensação de suporte e ajudar no controle da dor durante os primeiros dias, mas a cinta não torna a reconstrução mais resistente e não substitui uma técnica cirúrgica adequada.
Apareceu uma “bolinha” depois da cirurgia. A hérnia voltou?
Não necessariamente. Essa é uma dúvida importante porque um abaulamento nas primeiras semanas após a cirurgia pode assustar bastante.
Uma causa frequente é o seroma, um acúmulo de líquido na região operada. Também pode existir edema e alteração temporária do contorno abdominal durante a recuperação.
Portanto, perceber uma “bolinha” não significa automaticamente que a hérnia voltou.
Se o abaulamento persistir, aumentar ou vier acompanhado de outros sintomas, deve ser avaliado pelo cirurgião. O exame físico costuma ser o primeiro passo e, se houver dúvida, um exame de imagem pode ajudar.
→ Leia também: Dor após a cirurgia de hérnia: o que é normal e quando se preocupar?
Como saber se a hérnia realmente voltou?
A recidiva pode se manifestar pelo reaparecimento de um abaulamento na região operada, principalmente durante esforços, tosse ou ao permanecer em pé. Algumas pessoas também voltam a sentir dor, peso ou desconforto semelhantes aos que apresentavam antes da cirurgia, mas esses sintomas não confirmam sozinhos uma recidiva.
A avaliação da possibilidade de recidiva começa pelo exame físico. Quando necessário, ultrassom, tomografia ou ressonância podem ajudar a esclarecer se realmente existe uma nova hérnia.
Se a hérnia voltar, posso operar novamente?
Sim. Uma hérnia recidivada pode ser corrigida, mas o planejamento merece atenção especial.
Antes de uma nova cirurgia, é importante entender por que o reparo anterior falhou, qual técnica foi utilizada, se existe uma tela e onde ela está posicionada, além de avaliar quais planos da parede abdominal já foram operados.
Em algumas situações, a melhor estratégia pode ser realizar a nova correção por uma via diferente da utilizada anteriormente.
É possível evitar completamente que a hérnia volte?
Não existe cirurgia com risco zero de recidiva. Mas existem várias maneiras de reduzir esse risco. E elas começam antes mesmo de entrar no centro cirúrgico.
Preparar adequadamente o paciente, escolher a técnica mais indicada para aquela hérnia, executar corretamente a reconstrução e acompanhar a recuperação fazem parte do mesmo tratamento.
No Hernia Brasil, acreditamos que tratar uma hérnia vai além de simplesmente fechar um defeito. O objetivo é reconstruir adequadamente a parede abdominal e buscar um resultado duradouro, para que o paciente possa voltar às suas atividades com segurança e qualidade de vida.
Referências
Este conteúdo foi desenvolvido com base em informações respaldadas por evidências científicas e em materiais educacionais revisados, assegurando precisão, confiabilidade e alinhamento com padrões clínicos atualizados.
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Este texto tem finalidade educacional e não substitui a avaliação individualizada por um profissional de saúde.



