Qual o melhor exame para detectar uma hérnia abdominal: ultrassom, tomografia ou ressonância?

Quando existe a suspeita de uma hérnia abdominal, é comum surgir a dúvida: qual exame devo fazer para confirmar o diagnóstico? Ultrassom, tomografia ou ressonância?

A resposta é: depende. Não existe um único exame que seja o melhor para todas as hérnias. A escolha depende da localização, dos sintomas, do tipo de hérnia e, principalmente, da suspeita que precisamos esclarecer.

Existe um ponto ainda mais importante: na maioria dos casos, o diagnóstico da hérnia é clínico e não depende de exames de imagem. A história do paciente e um exame físico bem realizado continuam sendo as principais ferramentas para identificar uma hérnia.

É possível diagnosticar uma hérnia sem fazer exames?

O diagnóstico sem a necessidade do exame de imagem acontece na maioria das vezes.

Quando existe um abaulamento típico na virilha, no umbigo ou próximo a uma cicatriz, que aparece ou aumenta quando o paciente fica em pé, tosse ou faz força, muitas vezes a história clínica e o exame físico são suficientes para confirmar o diagnóstico.

Nas hérnias inguinais, por exemplo, estima-se que cerca de 95% dos casos possam ser diagnosticados clinicamente. Isso significa que nem todo paciente com suspeita de hérnia precisa fazer ultrassom, tomografia ou ressonância.

Os exames de imagem ganham importância quando existe dúvida no diagnóstico, quando há dor sem uma “bolinha” evidente, quando o abaulamento aparece apenas em determinadas situações, quando o exame físico é mais difícil, como pode acontecer em pacientes obesos, ou quando precisamos conhecer melhor a anatomia para planejar uma cirurgia.

Leia também: Como saber se eu tenho uma hérnia? Sintomas que você não pode ignorar.

Ultrassom: geralmente o primeiro exame quando existe dúvida

Quando precisamos complementar a avaliação clínica, o ultrassom costuma ser uma das primeiras opções, principalmente para investigar hérnias da virilha e pequenos defeitos da parede abdominal.

Uma de suas principais vantagens é permitir que a avaliação seja feita em movimento e durante o esforço. Durante o exame, o paciente pode tossir ou fazer força, realizando a chamada manobra de Valsalva. O aumento da pressão dentro do abdome pode fazer aparecer uma hérnia pequena que não estava evidente em repouso.

Além disso, o ultrassom não utiliza radiação, é amplamente disponível e pode ser muito útil quando existe dor ou um abaulamento pouco definido.

Por outro lado, a qualidade da ultrassonografia depende bastante da experiência de quem realiza o exame. Por isso, um resultado normal não necessariamente encerra a investigação quando os sintomas e a avaliação clínica continuam sugerindo uma hérnia.

Leia também: Hérnia inguinal apareceu no ultrassom, mas não dói: preciso operar?

Quando a tomografia é indicada?

A tomografia permite uma avaliação mais ampla da parede abdominal e das estruturas dentro do abdome. Ela tem um papel especialmente importante nas hérnias ventrais e incisionais, principalmente quando são grandes, recorrentes ou apresentam uma anatomia mais complexa.

Além de identificar a hérnia, a tomografia pode mostrar o tamanho e a localização do defeito, o conteúdo da hérnia, sua relação com a musculatura da parede abdominal e alterações relacionadas a cirurgias anteriores.

Por isso, em alguns pacientes, a tomografia não é solicitada apenas para confirmar se existe uma hérnia. Ela também fornece informações importantes para o planejamento da cirurgia.

A tomografia também pode ser utilizada quando a dúvida diagnóstica persiste após a avaliação inicial e em algumas situações de urgência, quando é necessário avaliar melhor a hérnia e seu conteúdo.

E a ressonância magnética?

A ressonância não é necessária para a maioria dos pacientes, mas pode ser muito útil em situações específicas.

Um bom exemplo é o paciente que apresenta dor na virilha sem um abaulamento evidente e permanece sem diagnóstico mesmo depois da avaliação inicial.

Pode existir uma hérnia oculta, mas também existem outras causas possíveis para essa dor, relacionadas aos músculos, tendões, articulações ou ao púbis. A ressonância permite avaliar melhor essas estruturas e pode ajudar a diferenciar uma hérnia de outros problemas que causam sintomas semelhantes.

Em alguns casos, a ressonância também pode ser realizada com manobras que aumentam a pressão dentro do abdômen, ajudando a identificar hérnias pequenas ou ocultas.

Leia também: Dor na virilha, sem “bolinha”? Pode ser uma hérnia oculta.

Afinal, qual escolher: ultrassom, tomografia ou ressonância?

Em vez de procurar qual exame é “melhor”, precisamos entender qual informação queremos obter

O ultrassom costuma ser uma ótima primeira opção quando o exame físico deixa dúvidas, principalmente nas hérnias da virilha e nos pequenos defeitos da parede abdominal.

A tomografia é especialmente útil para avaliar hérnias ventrais, incisionais, recorrentes, volumosas ou mais complexas e pode fornecer informações importantes para o planejamento cirúrgico.

A ressonância ganha importância quando existe suspeita de hérnia oculta ou quando precisamos investigar outras possíveis causas de dor, especialmente na região da virilha.

Portanto, não existe um exame que substitua os demais em todas as situações. Cada um tem uma função diferente dentro da investigação.

Um exame normal significa que não tenho hérnia?

Não necessariamente. Algumas hérnias são pequenas ou aparecem apenas quando o paciente fica em pé, tosse ou faz força. Por isso, a maneira como o exame é realizado pode fazer diferença.

Se os sintomas são muito sugestivos e o primeiro exame é normal ou inconclusivo, o resultado não deve ser analisado isoladamente. O cirurgião pode reavaliar o paciente, revisar o exame realizado ou indicar outro método de imagem.

Isso é particularmente importante nas hérnias ocultas, em que o paciente pode apresentar sintomas mesmo sem uma “bolinha” visível.

Leia também: Dor na virilha em mulheres ao caminhar ou treinar não é normal: pode ser hérnia ainda não diagnosticada.

E se a hérnia já foi operada e existe suspeita de que voltou?

A investigação de uma possível recidiva da hérnia também começa pela história do paciente e pelo exame físico.

Se ainda houver dúvida, o ultrassom pode complementar a avaliação. Em situações selecionadas, a tomografia ou a ressonância ajudam a esclarecer o diagnóstico e a avaliar melhor a região que já foi operada.

Os exames de imagem também podem ser úteis quando existe dor persistente após uma cirurgia, principalmente quando precisamos investigar uma possível recidiva ou outras alterações na região operada.

O exame mostrou uma hérnia. Isso significa que preciso operar?

Não necessariamente naquele momento. O exame mostra a anatomia, mas não decide sozinho a indicação nem o momento da cirurgia.

Uma pequena hérnia inguinal pode ser encontrada por acaso em uma pessoa que não apresenta qualquer sintoma. Por outro lado, uma hérnia pequena também pode causar bastante desconforto e limitar as atividades.

Por isso, o resultado precisa ser interpretado junto com os sintomas, o exame físico, o tipo e a localização da hérnia e as características individuais de cada paciente.

Leia também: Toda hérnia abdominal precisa de cirurgia?

O melhor exame começa pela avaliação correta

Na maioria das vezes, o diagnóstico de uma hérnia começa com uma boa conversa e um exame físico cuidadoso. E muitas vezes isso é suficiente.

Quando precisamos de um exame de imagem, ultrassom, tomografia e ressonância têm indicações diferentes. A escolha deve ser feita de acordo com o tipo de hérnia e com aquilo que precisamos esclarecer.

Fazer mais exames não significa necessariamente investigar melhor.

No Hernia Brasil, acreditamos que um diagnóstico preciso começa com uma boa avaliação e, quando necessário, com o exame certo para cada paciente e para a pergunta que precisamos responder.

Referências

Este conteúdo foi desenvolvido com base em informações respaldadas por evidências científicas e em materiais educacionais revisados, assegurando precisão, confiabilidade e alinhamento com padrões clínicos atualizados.

HerniaSurge Group. International guidelines for groin hernia management. Hernia. 2018;22(1):1-165. doi:10.1007/s10029-017-1668-x.

Henriksen NA, Montgomery A, Kaufmann R, et al. Guidelines for treatment of umbilical and epigastric hernias from the European Hernia Society and Americas Hernia Society. British Journal of Surgery. 2020;107(3):171-190. doi:10.1002/bjs.11489.

Stabilini C, van Veenendaal N, Aasvang E, et al. Update of the international HerniaSurge guidelines for groin hernia management. BJS Open. 2023;7(5):zrad080. doi:10.1093/bjsopen/zrad080.

Este texto tem finalidade exclusivamente educacional e não substitui a avaliação individualizada por um profissional de saúde.

Post anterior
Próximo post

Deixe um comentário

R. Mato Grosso, 306 – CONJUNTO 809 – Higienópolis
São Paulo – SP, 01239-040

Dra. Natália Pascotini

Médica: CRM 229545/SP
Cirurgia Geral - RQE Nº: 29210
Cirurgia do Aparelho Digestivo - RQE Nº: 121318

Dr. Paulo Henrique Fogaça Barros

Médico CRM: 141104/SP
Cirurgia Geral - RQE Nº: 60769
Cirurgia do Aparelho Digestivo - RQE Nº: 60770