Vídeo-aula: avaliação tomográfica da parede abdominal é padrão ouro no planejamento cirúrgico

A cirurgia da parede abdominal evoluiu de um procedimento de simples fechamento para uma reconstrução funcional e individualizada. O sucesso do reparo e a redução de recidivas dependem de um planejamento pré-operatório rigoroso, sendo a Tomografia Computadorizada (TC) o padrão-ouro para essa análise.

No vídeo abaixo, o Dr. Paulo Barros detalha como a interpretação correta da TC orienta a escolha entre técnicas abertas, laparoscópicas ou robóticas.

Sistematização tática: o relatório DECOMP

Para padronizar a comunicação entre cirurgiões e radiologistas, o protocolo DECOMP (DEfeito, COnteúdo, Musculatura, evento Prévio) organiza os achados críticos para a estratégia cirúrgica:

Defeito (topografia e mensuração)

  • Localização: identificação precisa em relação a marcos anatômicos (xifoide, cicatriz umbilical e sínfise púbica) e proximidade com estruturas ósseas.
  • Dimensões: mensuração dos eixos longitudinal e transversal para classificação pela European Hernia Society (EHS).
  • Multiplicidade: detecção de orifícios adicionais que podem passar despercebidos no exame físico.

Conteúdo e o cálculo da relação de volume (RVHA)

A avaliação do conteúdo vai além da identificação de vísceras ou sinais de estrangulamento. Em hérnias complexas, utilizamos o Método de Tanaka para calcular objetivamente a perda de domicílio.

Como o cálculo é realizado:

  1. Coleta de medidas: são obtidos os maiores diâmetros em qualquer corte axial da TC para a cavidade abdominal (VCA) e para o saco herniário (VSH):
  • a: Longitudinal / Crânio-caudal.
  • b: Transversal / Látero-lateral.
  • c: Anteroposterior.
  1. Fórmula: Volume = 0,52 x a x b x c.
  2. RVHA: Obtida pela razão VSH / VCA.

Interpretação Clínica:

  • RVHA > 25%: Define a perda de domicílio significativa. Indica a necessidade de preparo pré-operatório (Toxina Botulínica e/ou Pneumoperitônio Progressivo) para aumentar a complacência abdominal e reduzir riscos de síndrome compartimental no pós-operatório.

Musculatura (trofismo e dinâmica)

  1. Diástase de Retos (DRA): avaliação de afastamento >20mm e seu impacto na fraqueza da linha média e risco de recidiva.
  2. Equação de Carbonell: relação entre a largura somada dos retos e o diâmetro do defeito. Índices <1  indicam alta probabilidade de necessidade de Separação de Componentes (SC).
  3. Integridade: detecção de atrofias por denervação e hérnias intraparietais, onde a aponeurose do oblíquo externo permanece íntegra.

Prévios (histórico e próteses)

  • Material Sintético: localização de telas e fixadores de cirurgias anteriores, fundamentais para prever a complexidade da dissecção.
  • Complicações: Identificação de coleções, tratos fistulosos ou sinais de contratura de telas.

Domine a Técnica: Conheça o The Lab

A compreensão teórica da imagem é o alicerce para a execução cirúrgica de excelência. O The Lab permite ao cirurgião compreender profundamente os aspectos anatômicos por trás das técnicas complexas de reconstrução da parede abdominal.

Através de dissecações minuciosas em espécimes fresh frozen, promovemos o domínio da arquitetura tecidual em um ambiente controlado e realista. Essa imersão prática é fundamental para a aplicação segura de técnicas avançadas, como TAR, eTEP e abordagens robóticas.

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