Toma remédio? Saiba quais medicamentos manter ou suspender antes da cirurgia

Um guia completo de segurança pré-operatória 

A segurança de um procedimento começa muito antes do paciente entrar no centro cirúrgico. Um dos pilares dessa preparação é o manejo correto dos medicamentos utilizados no dia a dia. 

No HerniaBrasil, acreditamos que a transparência entre médico e paciente é a ferramenta mais poderosa para o sucesso de uma cirurgia. Por isso, preparamos este guia com base nas diretrizes das instituições de saúde mais respeitadas do mundo. 

Por que informar todos os medicamentos para seu médico é fundamental?

Antes de listarmos os remédios, um recado indispensável: nunca se sinta constrangido em compartilhar com seu cirurgião ou anestesista qualquer produto que você utiliza.

Seu médico precisa saber absolutamente tudo:

Medicamentos contínuos, remédios para emagrecimento, medicamentos para disfunção erétil, anticoagulantes, vitaminas, chás e suplementos, etc. 

Mesmo produtos “naturais” podem interferir na coagulação, na pressão arterial ou na anestesia.

No HerniaBrasil, respeitamos o sigilo médico. O objetivo não é julgar, é proteger.

Medicamentos que devem ser mantidos antes da cirurgia  

Em geral, interromper medicamentos essenciais podedescompensar funções vitais. Salvo em caso de orientação médica específica, estes costumam ser mantidos inclusive no dia da cirurgia, com um pequeno gole de água:

● Remédios para pressão alta e coração:

Betabloqueadores como Atenolol e Metoprolol, além de medicamentos como Anlodipino e Sinvastatina, ajudam a proteger o coração contra o estresse cirúrgico.

● Tratamento para doenças respiratórias:

Bombinhas para asma ou DPOC (Doença pulmonar obstrutiva crônica) devem ser mantidas para garantir pulmões estáveis.

● Medicamentos para tireoide:

Essenciais para o equilíbrio do seu metabolismo durante a recuperação.

● Protetores gástricos:

Medicamentos como o Omeprazol e o Pantoprazol reduzem a acidez do estômago, trazendo mais segurança na intubação anestésica. 

● Antiretrovirais: 

Medicações como Lamivudina, Dolutegravir fazem parte do tratamento para HIV/AIDS e devem ser mantidas para evitar resistência medicamentosa e aumento a carga viral. 

● Antidepressivos e anticonvulsivantes:

Na maioria dos casos, não devem ser interrompidos sem orientação médica específica.

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Medicamentos que devem ser suspensos antes da cirurgia

Saiba quais remédios pode manter e quais devem ser suspensos antes de uma cirurgia

Neste grupo, o risco das medicações envolve principalmente sangramentos excessivos, quedas de pressão ou interações perigosas com a anestesia. 

  • Medicamentos para disfunção erétil (Viagra, Cialis)

Esses remédios atuam promovendo vasodilatação e utilizam o óxido nítrico para relaxar os vasos sanguíneos. Quando combinados com os anestésicos, podem causar queda importante da pressão arterial. O ideal é suspender 72 horas antes da cirurgia. 

Medicamentos para diabetes

Aqui, a regra varia conforme o tipo de medicação:

  • Antidiabéticos orais (Metformina, Gliclazida, Acarbose, Glipizida): 

Não devem ser tomados no dia da cirurgia. O jejum obrigatório somado a esses remédios pode causar uma queda perigosa do açúcar (hipoglicemia).

  • Inibidores de SGLT2 (Jardiance, Forxiga, Invokana):

Devido ao risco de uma complicação rara chamada cetoacidose deve-se suspender 3 dias antes da cirurgia.

  • Injeções para emagrecimento (Ozempic, Rybelus, Wegovy): 

Como retardam o esvaziamento do estômago, elevam o risco de broncoaspiração durante a intubação e anestesia. Suspender a dose semanal 21 dias antes da cirurgia. 

Anti-inflamatórios, antiagregantes e anticoagulantes

● Anti-inflamatórios (Aspirina/AAS, Ibuprofeno): Aumentam o risco de sangramento. Suspender de 7 a 10 dias antes, conforme orientação médica 

● Antiagregante plaquetário (Cilostazol, clopidogrel): suspender 5 dias antes da cirurgia. 

● Anticoagulantes (Marevan, Xarelto):  Exigem pausa rigorosa e, em alguns casos, substituição temporária por medicações injetáveis. O intervalo pode variar entre 3 a 10 dias, conforme avaliação individual.

Suplementos e medicações naturais também podem ser perigosos

Muitos pacientes esquecem de mencionar que utilizam Ginkgo Biloba, cápsulas de alho, Ginseng, vitamina E, e polivitamínicos.

Essas substâncias podem interferir na coagulação e aumentar o risco de hemorragia. A recomendação geral é suspender suplementos e ervas naturais 7 dias antes da cirurgia. Natural não significa seguro.

Checklist de segurança pré-operatório

1. Fale tudo: informe todos os medicamentos, suplementos e produtos naturais que você utiliza.

2. Lista completa: anote os nomes e as miligramas (mg) de tudo o que você toma e leve na consulta.

3. O pequeno gole: para os remédios autorizados na manhã da cirurgia, use o mínimo de água possível para não comprometer o seu jejum.

4. Nunca suspenda ou mantenha medicações sem orientação médica

A Importância da avaliação individualizada

Este guia apresenta orientações gerais, mas não substitui a avaliação individual do seu caso. Cada paciente é único, e algumas situações podem exigir ajustes nas recomendações. Por isso, sempre converse com seu cirurgião e/ou anestesiologista antes de manter ou suspender qualquer medicamento. Os exemplos citados não incluem todas as medicações disponíveis. Informe sempre tudo o que você utiliza. 

Protocolos orientam. A decisão personalizada protege você.

Referências

Este conteúdo foi desenvolvido com base em informações respaldadas por evidências científicas e em materiais educacionais revisados, assegurando precisão, confiabilidade e alinhamento com padrões clínicos atualizados.

UCLA Health – Department of Anesthesiology. What medications should patients take before surgery?

Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Manual de Orientações Pré-Cirurgia.

Hospital Israelita Albert Einstein. Guia de Orientações ao Paciente Cirúrgico.

Takaoka Anestesia. Cartilha de Orientações Perioperatórias.

Froedtert & Medical College of Wisconsin. Guideline for Preoperative Medication Management.

Shin SJ, Vail RM, Shah SS, et al. Perioperative Care in Adults with HIV. Baltimore (MD): Johns Hopkins University; 2024.

Este texto tem finalidade educacional e não substitui a avaliação individualizada por um profissional de saúde.

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