Tela na cirurgia de hérnia abdominal: o que é e quando é necessária

Se você foi diagnosticado com uma hérnia da parede abdominal (como a hérnia inguinal, umbilical ou incisional), é muito provável que seu cirurgião tenha mencionado o uso de uma “tela” durante a cirurgia.

Vamos esclarecer neste texto as principais dúvidas dos pacientes: 

O que é a tela cirúrgica?

Pense na tela como um reforço para a parede do seu abdômen. Ela é um material seguro, desenvolvido especialmente para uso médico, que o cirurgião posiciona sobre a área enfraquecida por onde a hérnia surgiu. Com o tempo, o tecido do seu próprio corpo cresce através da tela, criando uma parede muscular mais forte e resistente.

Por que usar uma tela?

O principal motivo é reduzir o risco de a hérnia voltar. Muitos estudos mostram que cirurgias de hérnia feitas com reforço da tela têm menor probabilidade de recidiva (quando a hérnia reaparece no mesmo local) do que cirurgias que apenas costuram os tecidos (técnica conhecida como “reparo primário”). Para a maioria das hérnias em adultos, o uso da tela é o padrão ouro de tratamento.

A tela é segura? De que ela é feita?

Sim, as telas usadas hoje são extremamente seguras e passaram por rigorosos testes antes de serem aprovadas para uso em pacientes. A maioria é feita de materiais sintéticos biocompatíveis, o que significa que o corpo não os rejeita. São flexíveis e projetadas para se integrar ao seu organismo de forma natural.

Existem diferentes tipos, e o cirurgião escolherá a melhor para o seu caso específico. Essa decisão é individualizada e leva em conta a localização, o tamanho da hérnia e as características do seu tecido abdominal, além do tipo de cirurgia indicada.

  • Telas sintéticas permanentes: são as mais comuns. Permanecem no corpo para garantir um reforço duradouro.
  • Telas absorvíveis: o corpo as absorve lentamente com o tempo, após terem estimulado a cicatrização e o fortalecimento da área.
  • Telas biológicas: feitas a partir de tecido animal processado, são usadas em situações especiais, como em áreas com infecção.

Ouvi falar de problemas com telas. Devo me preocupar?

É verdade que, como em qualquer procedimento cirúrgico, existem riscos. No entanto, os problemas graves relacionados às telas são raros. As complicações mais discutidas, como dor crônica ou infecção, podem ocorrer em qualquer cirurgia de hérnia, com ou sem tela.

É importante saber: 

  1. A tecnologia evoluiu: as telas modernas são muito mais seguras e eficazes do que as usadas décadas atrás.
  2. A experiência do cirurgião é fundamental: um cirurgião experiente em reparo de hérnias sabe qual tipo de tela usar e como posicioná-la corretamente para minimizar os riscos.
  3. A maioria dos pacientes não têm problemas: a grande maioria das pessoas que passa por uma cirurgia de hérnia com tela tem uma recuperação tranquila e um excelente resultado a longo prazo.

Todas as cirurgias de hérnia precisam de tela?

Não necessariamente, mas a grande maioria dos reparos em adultos se beneficia muito do seu uso. Em alguns casos específicos, como em hérnias muito pequenas ou em crianças, o cirurgião pode optar por não usá-la.

A decisão final é sua e do seu médico

A informação mais importante é conversar abertamente com seu cirurgião. Pergunte sobre os benefícios de usar a tela no seu caso, os riscos envolvidos e qual tipo de tela ele recomenda. Uma decisão conjunta, baseada em informação de qualidade e confiança, é o melhor caminho para o sucesso do seu tratamento.

Lembre-se: o objetivo da cirurgia é resolver o problema da hérnia de forma segura e definitiva, permitindo que você retome suas atividades normais sem dor e com tranquilidade.

Referência:

SAGES (Society of American Gastrointestinal and Endoscopic Surgeons). Patient Information: “Frequently Asked Questions about Mesh for Hernia Repair”.

Post anterior
Próximo post

2 Comentários

Deixe um comentário para Hérnia inguinal em destaque na imprensa: o que é e porque escolher um cirurgião capacitado – Hernia Brasil Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

R. Mato Grosso, 306 – CONJUNTO 809 – Higienópolis
São Paulo – SP, 01239-040

Dra. Natália Pascotini

Médica: CRM 229545/SP
Cirurgia Geral - RQE Nº: 29210
Cirurgia do Aparelho Digestivo - RQE Nº: 121318

Dr. Paulo Henrique Fogaça Barros

Médico CRM: 141104/SP
Cirurgia Geral - RQE Nº: 60769
Cirurgia do Aparelho Digestivo - RQE Nº: 60770