Se você recebeu indicação de cirurgia para hérnia inguinal ou hérnia abdominal, é muito provável que tenha se deparado com essa dúvida; “Cirurgia robótica ou laparoscópica: qual é melhor para mim?”
A resposta mais honesta é que depende do seu caso, mas existe uma forma clara de entender essa decisão, e ela começa pelas diretrizes internacionais e pela nossa prática no dia a dia da cirurgia.
O que dizem as diretrizes mais atuais?
De acordo com sociedades como European Hernia Society e American Hernia Society, a escolha da técnica cirúrgica deve ser individualizada. Ela depende de fatores como:
- localização da hérnia
- tamanho do defeito
- histórico do paciente
- condições clínicas
- experiência da equipe cirúrgica
Mais importante do que a tecnologia isolada é a indicação correta da técnica.
Hérnias inguinais
Para hérnias na virilha, as diretrizes são bastante claras. Sempre que possível, recomenda-se uma técnica minimamente invasiva, como a laparoscopia ou robótica, desde que o cirurgião tenha experiência. Isso está associado a:
- menos dor no pós-operatório
- recuperação mais rápida
- retorno mais precoce às atividades
A cirurgia robótica pode ser utilizada nesses casos, especialmente em hérnias bilaterais ou recidivadas.
Hérnias umbilicais e ventrais
Nesses casos, o fator mais importante é o tamanho do defeito. Hérnias pequenas, geralmente menores que 1 cm, podem ser tratadas com cirurgia aberta simples em situações selecionadas.
Para defeitos entre 1 e 4 cm, há uma tendência atual de utilizar técnicas minimamente invasivas, como laparoscopia ou robótica, principalmente quando se busca posicionar a tela em planos mais adequados, como o pré-peritoneal ou retromuscular. Isso reduz complicações, especialmente infecção da ferida operatória.
Em quais casos a cirurgia robótica realmente faz diferença?
A diferença prática da robótica se torna mais evidente em hérnias ventrais e abdominais mais complexas, como:
- hérnias umbilicais maiores
- hérnias incisionais
- hérnias inguinoescrotais
- defeitos amplos da parede abdominal (hérnias ventrais complexas)
- casos associados à diástase dos músculos retos
Nessas situações, a cirurgia não envolve apenas fechar um defeito. Ela exige muitas vezes reconstrução da parede abdominal, com suturas mais longas e tecnicamente mais exigentes.
Por que isso é mais desafiador na laparoscopia?
Na laparoscopia tradicional, algumas limitações tornam essas etapas mais exigentes:
- a visão é em duas dimensões (2D)
- os instrumentos são retos, com mobilidade limitada
- não há articulação que simula o movimento do punho
- o controle de ângulo para passagem da agulha é mais restrito
Na prática, suturar a parede abdominal, principalmente em planos mais altos, pode ser tecnicamente muito mais desafiador.
O que a cirurgia robótica muda nesses casos?
A cirurgia robótica foi desenvolvida justamente para superar essas limitações. Com ela, o cirurgião tem:
- visão em três dimensões (3D), com melhor percepção de profundidade
- instrumentos articulados, com movimentos semelhantes ao punho humano
- maior controle do ângulo da agulha durante a sutura
- movimentos mais precisos e estáveis, sem tremor
Isso transforma a forma de realizar a sutura. O que antes era tecnicamente mais difícil passa a ser feito com mais controle, mais segurança e maior precisão.
O que isso significa para o resultado?
Em hérnias mais complexas, esse ganho técnico faz toda a diferença. Permite uma reconstrução mais cuidadosa da parede abdominal, com melhor aproximação dos tecidos e maior controle durante o procedimento. Nesses cenários, a cirurgia robótica permite uma execução mais refinada do ponto de vista técnico.
A laparoscopia ainda é considerada padrão?
Sim. A laparoscopia continua sendo amplamente recomendada pelas diretrizes, principalmente pelo excelente custo-benefício, segurança e recuperação rápida. A cirurgia robótica deve ser vista como uma evolução tecnológica, especialmente útil quando a complexidade do caso aumenta.
E o custo? Como equilibrar custo e benefício
Esse é um ponto importante e precisa ser analisado com cuidado. A cirurgia robótica pode ter um custo mais elevado, principalmente porque ainda não está incluída no rol da ANS em muitos casos. Por outro lado, quando avaliamos uma cirurgia, não consideramos apenas o custo imediato.
Também levamos em conta fatores como:
- recuperação mais confortável
- menor agressão aos tecidos
- menor risco de algumas complicações, como infecção da ferida operatória
- retorno mais rápido às atividades
Esses aspectos fazem parte do que chamamos de valor em saúde. A decisão envolve um equilíbrio entre o custo do procedimento e os benefícios que ele pode oferecer em cada caso específico. A melhor escolha é aquela que equilibra segurança, resultado e contexto individual de cada paciente
Veja na prática a diferença entre as técnicas
Se você quiser entender melhor como essas duas abordagens funcionam no dia a dia, mostramos isso de forma didática neste vídeo:
Nesse conteúdo, você consegue ver a diferença em cada técnica e as diferenças de movimento e o que muda na prática.
Como decidir com segurança
A melhor técnica nem sempre é a mais moderna, mas a mais adequada para o seu caso. A decisão leva em consideração:
- o tipo de hérnia
- o tamanho do defeito
- se é uma hérnia primária ou recidivada
- suas condições clínicas
- a experiência da equipe cirúrgica
- e, em alguns casos, o custo
Não existe uma única resposta para todos os pacientes. A cirurgia robótica e a laparoscópica são ferramentas excelentes. O que realmente faz diferença é a indicação correta, o planejamento e a execução adequada da cirurgia.
Referências
Este conteúdo foi desenvolvido com base em informações respaldadas por evidências científicas e em materiais educacionais revisados, assegurando precisão, confiabilidade e alinhamento com padrões clínicos atualizados.
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Este texto temfinalidade educacional e não substitui a avaliação individualizada por um profissional de saúde.



