Pós-operatório de hérnia abdominal: o que esperar e como se preparar

A cirurgia de hérnia abdominal – seja inguinal, umbilical, ventral ou incisional — é um dos procedimentos mais realizados em cirurgia geral e o pós-operatório influencia diretamente na sua recuperação, conforto, retorno às atividades e resultado final. 

Este guia completo explica como é o pós-operatório da cirurgia de hérnia, o que é esperado nesse período, quando procurar o seu médico e como você pode se preparar física e emocionalmente para uma recuperação segura e mais rápida.

O que acontece logo após a cirurgia

Nos primeiros momentos de pós-operatório o paciente é encaminhado para uma sala de recuperação, onde a equipe de saúde acompanhará de perto sinais como frequência cardíaca, pressão arterial, respiração e oxigenação. Esse cuidado garante que você desperte da anestesia com segurança. 

No primeiro dia, é comum sentir cansaço, sonolência ou certa lentidão de memória, estes são efeitos esperados do período pós-anestésico. Por esse motivo, recomenda-se evitar dirigir, consumir bebidas alcoólicas ou tomar decisões importantes por pelo menos 48 horas.

Dor pós-operatória: o que é esperado (e o que não é) 

A dor após a cirurgia de hérnia é comum, mas geralmente é:

  • moderada nos primeiros dias e bem controlável com medicação simples (dipirona, paracetamol e anti-inflamatórios, conforme orientação médica)
  • na maioria dos casos a dor e desconforto melhoram progressivamente,  dia após dia. 

Estudos mostram que a maioria dos pacientes relata dor leve nos primeiros dias, quando as orientações médicas são seguidas.

Também podem ocorrer sensações como endurecimento ao redor da cicatriz, repuxamento ao se movimentar ou áreas de dormência. Essas sensações fazem parte do processo de cicatrização e tendem a melhorar com o tempo.

✔️Sem medo:
Dor leve, desconforto ao se levantar ou tossir e sensibilidade na região da incisão (corte cirúrgico) são normais.

Entre em contato com seu cirurgião se houver:

  • dor que piora progressivamente;
  • dor que não melhora com os analgésicos prescritos.

Mexa-se! A caminhada é sua aliada

O movimento precoce é uma das melhores formas de recuperação. Mesmo no primeiro dia, levantar-se da cama e caminhar devagar ajuda a:

  • melhorar a circulação sanguínea;
  • manter a função pulmonar;
  • diminuir o risco de coágulos (trombose venosa profunda);
  • reduzir dor abdominal e rigidez;

Caminhar de forma leve, várias vezes ao dia, é recomendado nesse período. 

Alimentação e hidratação

Foto: Freepik

Quando vou poder beber e comer?

Assim que você acordar e não sentir náuseas, pode começar a ingerir líquidos ou dieta leve, conforme a recomendação do seu médico. 

Dicas para facilitar:

  • Beba 8 a 10 copos de água por dia;
  • Coma alimentos ricos em fibra (frutas, legumes, verduras e grãos integrais);
  • Evite alimentos ultraprocessados, gordurosos, muito doces ou condimentados;
  • Evite ficar muito tempo sem evacuar, pois isso aumenta a pressão na parede abdominal.

A constipação intestinal é comum após anestesia e algumas medicações. Quando o intestino demora para funcionar, pode haver aumento da pressão abdominal e piora do desconforto nas incisões. Por isso, manter boa alimentação, hidratação e movimentação é fundamental.

É comum também sentir estufamento, gases ou sensação de intestino “preguiçoso” nos primeiros dias após a cirurgia. Isso costuma melhorar com caminhada, hidratação adequada e alimentação leve. A presença de gases não indica problema na cirurgia.

Cuidados com a ferida operatória

Manter a ferida limpa é fundamental para uma boa cicatrização, para isso:

  • Lave as mãos antes de tocar a ferida e curativos;
  • Tome banho normalmente após liberação do cirurgião, limpando a ferida com água e sabonete neutro;
  • Evite esfregar a região;
  • Se houver curativo, troque conforme orientação médica. 

Em alguns casos, pode ser indicado o uso de faixa ou cinta abdominal, especialmente em hérnias ventrais maiores. Ela não “segura” a hérnia, mas pode ajudar no conforto e na sensação de segurança nos primeiros dias. O uso deve sempre seguir a orientação do cirurgião.

Sinais de alerta:

  • Vermelhidão que cresce ao redor da incisão;
  • Calor na pele ao redor da ferida;
  • Secreção com cheiro forte ou amarelada;
  • Sangramento contínuo;

Se qualquer um desses sinais aparecer, contate seu médico.

Sono, descanso e saúde geral

Seu corpo precisa de energia para cicatrizar. Para isso:

  • Priorize sono de qualidade (7–9 horas por noite);
  • Mantenha boa hidratação;
  • Controle doenças crônicas (como diabetes e hipertensão);
  • Evite fumar, pois o tabaco retarda a cicatrização;

Parar de fumar antes da cirurgia e manter-se sem tabaco por pelo menos 4 semanas após o procedimento reduz significativamente o risco de complicações.

Quando posso voltar ao trabalho?

Atividades leves do dia a dia, como caminhar pela casa, subir escadas com cuidado, tomar banho e realizar trabalho de escritório sem esforço físico, costumam ser retomadas nos primeiros dias, conforme o paciente sente-se confortável. 

Levantamento de peso e esforço abdominal

Evite qualquer esforço que exija levantar peso acima de 5 kg ou que force a região abdominal por pelo menos 4 a 6 semanas, especialmente em casos de:

  • Hérnias da parede abdominal maiores;
  • Hérnias ventrais ou incisionais;
  • Reparos mais extensos com uso de tela;

Esse cuidado permite a cicatrização adequada do tecido e reduz o risco de recidiva da hérnia.

Quando posso voltar à academia e aos exercícios físicos?

A resposta depende do tipo de cirurgia e de cada paciente, mas em geral, são as seguintes:

 Hérnias inguinais e umbilicais não complexas ou pequenas

  • Caminhadas leves geralmente são liberadas na primeira semana;
  • Exercícios leves (como bicicleta ergométrica leve, sem resistência) podem iniciar em 2–3 semanas, se não houver dor;
  • Exercícios com carga e fortalecimento abdominal devem aguardar 4–6 semanas.

Hérnias ventrais maiores ou complexas

  • O retorno a exercícios intensos pode ser mais tardio;
  • Seu cirurgião será o melhor guia, individualizando o plano de cuidados.

Dica importante: comece com movimentos sem peso e progrida gradualmente, e considere a dor um sinal de alerta. Em alguns casos, especialmente em hérnias ventrais maiores, pode ser indicado um plano estruturado de reabilitação com fisioterapia, definido pela equipe assistente.

Drenos; como cuidar se for utilizado

Nem todos os pacientes usam drenos, mas quando indicados é importante que o paciente:

  • Mantenha o curativo seco;
  • Observe e anote o volume e a cor do líquido conforme orientação médica;
  • Siga a orientação do seu médico sobre quando retornar em consulta para removê-los.

Atenção: Se o dreno sair sozinho, houver sangramento importante ou aumento da dor local, contate seu médico.

Quando chamar sua equipe médica

Entre em contato com seu cirurgião se ocorrer:

  • Dor que NÃO melhora ou piora;
  • Febre acima de 37,8 °C;
  • Vômitos persistentes;
  • Vermelhidão, inchaço ou saída de pus da ferida;
  • Dor abdominal intensa ou distensão abdominal importante;
  • Ausência de evacuações por 3 dias;
  • Sangramento persistente;

Esses sinais não são esperados e merecem avaliação.

Caminho para a recuperação ideal

Para ter um pós-operatório mais tranquilo:

  1. Prepare-se antes da cirurgia (pare de fumar, controle glicemia e pressão, melhore a nutrição);
  2. Movimente-se progressivamente após a cirurgia;
  3. Durma bem e hidrate-se;
  4. Evite levantar peso nas primeiras 4–6 semanas;
  5. Siga todas as orientações da sua equipe médica.

Essa abordagem não só acelera seu retorno às atividades, como também reduz os riscos de complicações e melhora sua qualidade de vida após a cirurgia.

Referências:

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Dra. Natália Pascotini

Médica: CRM 229545/SP
Cirurgia Geral - RQE Nº: 29210
Cirurgia do Aparelho Digestivo - RQE Nº: 121318

Dr. Paulo Henrique Fogaça Barros

Médico CRM: 141104/SP
Cirurgia Geral - RQE Nº: 60769
Cirurgia do Aparelho Digestivo - RQE Nº: 60770