Perceber uma “bolinha” ou inchaço na região do umbigo ou logo acima dele pode ser sinal de uma hérnia da parede abdominal. Apesar de o termo assustar em um primeiro momento, trata-se de uma condição bastante comum e com tratamento seguro e eficaz.
Essas hérnias são mais frequentes em pessoas com obesidade, em mulheres durante ou após a gestação e podem ocorrer em diferentes fases da vida adulta. Estima-se que cerca de 8% da população adulta no Brasil apresente esse problema, segundo dados da Sociedade Brasileira de Hérnia.
Neste texto, vamos explicar de forma clara e objetiva o que são as hérnias umbilicais e epigástricas, trazendo informações confiáveis baseadas nas diretrizes mais recentes da Sociedade Europeia de Hérnia (EHS) e da Sociedade Americana de Hérnia (AHS).
Nosso objetivo é que você entenda essa condição, saiba quando procurar ajuda e conheça as opções de tratamento disponíveis, para tomar decisões compartilhadas com seu cirurgião, com segurança e tranquilidade.
As hérnias umbilicais e epigástricas são tipos de hérnia da parede abdominal que surgem na linha média do abdome. Elas acontecem quando uma pequena parte do tecido gorduroso — ou, em alguns casos, até uma alça do intestino — atravessa uma área enfraquecida da musculatura, formando um abaulamento visível.
É importante saber que muitas pessoas podem ter hérnias umbilicais ou epigástricas pequenas e nem perceber, pois elas podem não causar sintomas. Estas hernias muito pequenas geralmente são descobertas por acaso, em um exame de rotina ou durante a avaliação médica por outro motivo. Quando visíveis, costumam se apresentar como uma “bolinha” ou inchaço que aumenta ao tossir, levantar peso ou fazer esforço físico, e que pode diminuir ou desaparecer ao deitar-se.
A principal diferença entre elas é a localização:
O sintoma mais comum é a presença de uma bolinha ou inchaço na região do umbigo ou acima dele. Este abaulamento pode:
É importante saber que muitas hérnias permanecem pequenas por anos e podem não gerar sintomas significativos. Quando aumentam de tamanho, o desconforto tende a se tornar mais frequente, mas essa evolução geralmente acontece de forma lenta, ao longo de meses ou até anos.
Durante esse período, não há necessidade de restringir as atividades do dia a dia, a menos que a hérnia cause incômodo em determinadas situações, como ao carregar peso ou praticar exercícios.
Na maioria dos casos, o diagnóstico é simples e pode ser feito apenas com a avaliação clínica no consultório. Se houver dúvida, o cirurgião pode solicitar exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia, para confirmar o diagnóstico.
Alguns fatores são considerados de risco por aumentarem a pressão dentro do abdômen ou enfraquecerem a parede abdominal. Entre eles estão:
A gestação traz mudanças significativas ao corpo, e a parede abdominal é uma das áreas mais impactadas; uma situação especial que exige atenção.
A única forma de corrigir uma hérnia umbilical ou epigástrica é por meio de cirurgia. Nenhum medicamento ou exercício consegue “fechar” a abertura na parede abdominal.
Isso não significa que toda hérnia precise ser operada imediatamente. Em casos de hérnias pequenas, que não causam dor nem atrapalham as atividades do dia a dia, pode-se adotar a estratégia chamada de observação (watchful waiting). Nesse acompanhamento, o paciente mantém sua rotina normalmente, mas segue em avaliação periódica com o cirurgião.
É importante saber que, com o tempo, a hérnia pode aumentar de tamanho ou passar a causar desconforto. Nesses casos, a cirurgia passa a ser a melhor indicação. Por isso, a decisão entre operar ou apenas observar deve ser tomada em conjunto com o cirurgião, levando em conta sintomas, qualidade de vida e riscos individuais.
Quando a cirurgia é indicada, a principal recomendação para reduzir o risco de a hérnia voltar é o uso de uma tela cirúrgica. Esse reforço oferece mais segurança e estabilidade à parede abdominal.
Em geral, quando a abertura da hérnia é maior que 1 cm de diâmetro, o reparo com tela costuma ser a opção mais indicada. Para orifícios muito pequenos, em situações bem selecionadas, pode ser considerado o fechamento apenas com pontos, mas isso é cada vez menos comum.
A escolha da técnica cirúrgica não depende apenas do tamanho da hérnia. São levados em conta também as características da parede abdominal, o histórico de saúde e as necessidades do paciente. O cirurgião irá avaliar o seu caso individualmente e discutir as vantagens e limitações de cada abordagem, para juntos decidirem a melhor opção.
Pacientes com certas condições de saúde precisam de um planejamento cirúrgico cuidadoso:
A recuperação costuma ser rápida, e muitos pacientes têm alta no mesmo dia da cirurgia, principalmente quando a cirurgia é feita utilizando os métodos minimamente invasivos. O retorno às atividades físicas deve ser gradual e autorizado pelo seu cirurgião.
Caminhadas leves são geralmente permitidas logo após o procedimento, mas exercícios intensos e carregar peso devem ser evitados por um período de seis semanas para garantir a cicatrização adequada e o sucesso da cirurgia.
A cirurgia é segura, mas as complicações mais comuns estão relacionadas à ferida operatória, como seroma (acúmulo de líquido), hematoma ou infecção. A complicação de longo prazo mais relevante é a recidiva (retorno da hérnia), que é significativamente reduzida com o uso de tela.
Converse com seu médico especialista para entender qual a melhor abordagem para o seu caso.
Essa página oferece informações gerais e não substitui uma consulta médica.
Para agendar sua consulta com a nossa equipe, entre em contato:
Dra. Natália Pascotini
Dr. Paulo Barros
WhatsApp: (11) 94785 3135