Você passou por uma cirurgia abdominal e, meses ou até anos depois, percebeu uma “bolinha”, inchaço ou desconforto próximo à cicatriz?
Esse sinal pode indicar uma hérnia incisional, uma condição relativamente comum, mas que costuma gerar muitas dúvidas.
Nosso objetivo aqui é explicar, de forma clara e atualizada, o que é essa hérnia, por que ela aparece e quais são as opções de tratamento mais seguras, de acordo com as recomendações das Sociedades Europeia e Americana de Hérnia (EHS e AHS).
Uma hérnia incisional é um defeito na parede abdominal que se forma no local de uma incisão cirúrgica prévia.
Após qualquer cirurgia abdominal, os músculos e tecidos precisam cicatrizar e recuperar sua firmeza. Quando esse processo de cicatrização não é completo pode se formar uma abertura na musculatura no local da cicatriz.
Através dessa abertura, uma pequena porção de gordura ou até uma alça intestinal pode se projetar para fora, formando um abaulamento sob a pele, que costuma ser perceptível perto da cicatriz.
O principal sintoma é o surgimento de um abaulamento ou saliência na região da cicatriz cirúrgica. Este abaulamento pode:
Hérnias pequenas podem não causar sintomas e ser descobertas por acaso. Já as maiores tendem a gerar desconforto progressivo, especialmente durante atividades que exigem força abdominal, como levantar peso, tossir ou mesmo rir.
O principal objetivo do tratamento é aliviar os sintomas, evitar complicações e melhorar a qualidade de vida.
Uma série de fatores podem resultar na ocorrência das hérnias incisionais. As evidências científicas apontam para dois grupos principais de causas:
Estudos mostram que a hérnia incisional não é rara. Cerca de 12.8% dos pacientes que passam por uma cirurgia com um corte na linha média do abdômen podem desenvolver uma hérnia em até dois anos.
Embora muitas hérnias causem dor e desconforto, afetando a qualidade de vida, existem duas complicações importantes que você precisa conhecer:
Felizmente, o risco de uma complicação como o estrangulamento é baixo. Para hérnias que podem ser facilmente “empurradas” de volta para o abdômen (redutíveis), o risco é de aproximadamente 1% no primeiro ano, subindo para 2.5% em cinco anos.
O único tratamento para a hérnia incisional é a cirurgia. A decisão de operar leva em conta os sintomas, riscos e benefícios para o paciente, em uma conversa clara com o seu cirurgião.
Hoje, a recomendação é clara: a cirurgia deve ser feita com o uso de uma tela cirúrgica, que funciona como um reforço para a parede abdominal e reduz drasticamente o risco de a hérnia voltar (recidiva) em comparação com a cirurgia que usa apenas pontos (sutura).
Existem diferentes técnicas que podem ser utilizadas para realizar a cirurgia:
A escolha entre as técnicas (aberta, laparoscópica ou robótica) depende do tamanho da hérnia, da saúde do paciente e, principalmente, da experiência do cirurgião.Todas são opções válidas quando bem indicadas.
O tempo de recuperação pode variar, mas as diretrizes atuais oferecem orientações claras para um pós-operatório mais seguro e confortável.
Você será encorajado a caminhar e se mover logo após a cirurgia. No entanto, deve evitar levantar peso ou fazer exercícios que forcem o abdômen por cerca de 4-6 semanas. Esse é o tempo necessário para que a tela se integre bem aos seus tecidos.
Como qualquer procedimento cirúrgico, o reparo da hérnia incisional tem riscos, que incluem:
Se você notar um abaulamento em sua cicatriz, não ignore. A avaliação de um cirurgião especialista em parede abdominal é o primeiro passo para um diagnóstico correto e um plano de tratamento que devolva sua qualidade de vida e bem-estar.
Converse com seu médico especialista para entender qual a melhor abordagem para o seu caso.
Essa página oferece informações gerais e não substitui uma consulta médica.
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