Sentir desconforto, dor ou notar um abaulamento (“bolinha”) na região da virilha pode gerar muitas dúvidas e preocupações. Entender o que é a hérnia inguinal, doença que afeta esta região, seus sintomas e tratamento é o primeiro passo para uma jornada de cuidado mais tranquila e segura.
A hérnia inguinal é uma protusão (um tipo de saliência) na virilha causada pela passagem de parte do intestino ou de tecido gorduroso através de uma área enfraquecida da musculatura abdominal. A hérnia inguinal surge no canal inguinal, um trajeto anatômico natural que percorre cada lado da pelve em direção aos órgãos genitais, ou do canal femoral, um canal menor situado abaixo do canal inguinal. As hérnias inguinais são o tipo mais comum de hérnias abdominais, representando 75% dos casos. A ocorrência ao longo da vida de hérnias da região inguinal ou femoral é de 27% a 43% nos homens e de 3% a 6% nas mulheres.
Os sintomas podem variar, mas os mais comuns incluem:
Muitas hérnias, no entanto, são assintomáticas ou causam sintomas mínimos no início. A maioria das pessoas só procura um médico quando a dor ou o desconforto começam a interferir nas atividades diárias, ou seja, quando a doença já apresentou uma progressão.
A hérnia inguinal surge de uma combinação: causas que aumentam a pressão no abdômen e uma fraqueza preexistente na parede abdominal. Os principais fatores de risco são:
Embora o tratamento seja semelhante, a origem da fraqueza na parede abdominal diferencia esses dois tipos de hérnias da virilha (inguinal) e femoral (crural).
Seu médico poderá identificar o tipo da hérnia durante o exame físico, com exame de imagem ou na cirurgia, mas para o paciente, o mais importante é saber que todas precisam de avaliação e, geralmente, tratamento.
É importante saber que a hérnia não melhora sozinha nem desaparece com o tempo. Não existem exercícios ou tratamentos fisioterápicos capazes de curá-la. A única forma de corrigir definitivamente e curar uma hérnia inguinal ou femoral é através de cirurgia.
O tratamento cirúrgico é indicado para homens com hérnias inguinais sintomáticas.
Para homens com hérnias pequenas e sem sintomas, a estratégia de “esperar e observar” (watchful waiting) pode ser uma opção segura, já que o risco de complicações urgentes é baixo. No entanto, a maioria destes casos (cerca de 70%) acaba tendo indicação para operar dentro de alguns anos, pois as hérnias tendem a piorar com o tempo: os sintomas tendem a aparecer ou piorar e a hérnia a aumentar de tamanho.
Nas mulheres, porém, a conduta é diferente: devido ao risco elevado de complicações das hérnias na virilha em mulheres, recomenda-se o reparo cirúrgico mesmo quando não há sintomas. Por esse motivo, a estratégia de “espera vigilante” não é aconselhada para pacientes do sexo feminino.
As técnicas cirúrgicas modernas são muito seguras e eficazes. O uso de uma tela de material sintético para reforçar a área fraca é a recomendação padrão, pois diminui significativamente o risco de a hérnia voltar (recidiva).
Em comparação à cirurgia aberta, as técnicas minimamente invasivas costumam proporcionar uma recuperação mais rápida, retorno antecipado às atividades do dia a dia e menor risco de dor crônica no pós-operatório.
Existem duas formas principais de realizar a cirurgia, a TEP (totalmente extraperitoneal) e a TAPP (transabdominal pré-peritoneal). A diferença está apenas na forma como o cirurgião acessa a região da hérnia, mas, para o paciente, os resultados são muito semelhantes.
A escolha da técnica mais adequada leva em conta o tipo de hérnia, as condições de saúde do paciente e a experiência do cirurgião, sempre valorizando uma decisão compartilhada entre médico e paciente.
O tempo de recuperação varia de acordo com o caso e as condições de saúde de cada paciente, mas geralmente é mais rápido nas cirurgias minimamente invasivas (laparoscópica e robótica). Na maioria das vezes é possível retornar às atividades leves em poucos dias.
Essa é uma dúvida muito comum. As diretrizes atuais são claras: não há necessidade de restrições de atividade física após uma cirurgia de hérnia sem complicações.
A recomendação é que os pacientes retomem suas atividades normais assim que se sentirem confortáveis para isso, o que geralmente ocorre entre 3 a 5 dias para atividades leves e algumas semanas para esforços mais intensos. A dor é o principal guia. A antiga ideia de “repouso absoluto” por semanas não é mais recomendada.
A cirurgia de hérnia inguinal é muito segura, mas, como todo procedimento, envolve riscos:
Converse com seu médico especialista para entender qual a melhor abordagem para o seu caso.
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